segunda-feira, 7 de julho de 2014

Um dia ruim, talvez

Ela estava de costas, talvez ninguém soubesse o motivo.

O filho a olhava de forma peculiar, única, amorosa. Mas ainda havia desdém ali.

Braços cruzados, olhar no ônibus, trajava uniforme de uma viação.

Ele usava o da escola, pois acabara de sair da aula.

Em tentativas sem sucesso, o garoto se esforçava, mas a mãe não reagia.

A provável decepção tomou conta dela, imobilizou-a.

Passavam pessoas, carros, o semáforo abria, para ela o tempo tinha congelado.

Para ele... Ele era muito novo para entender tudo aquilo.

A olhos nus, os dois eram desconhecidos.

A situação causava incômodo, entretanto aparentava ser recorrente.

De repente a apatia deu força a irritação. O mundo é ingrato.

Queria uma profissão melhor, uma inflação menor, educação.

Sonhava em casar – era mãe solteira -, foi abandonada.

Não vislumbrava um futuro digno para seu filho.

Estava indo para casa, no bairro mais violento da cidade.

Os pais estavam mortos. Não tinha grandes amigos.

Pensou: As coisas vão melhorar. Ligou a televisão, Neymar já era.

Talvez tenha sido um dia ruim. Ou talvez os dias sempre sejam ruins.

terça-feira, 11 de março de 2014

Disse o taxista

Em raras ocasiões me vejo dentro de um táxi, além de fugir ao orçamento, prefiro um ônibus, quando há real possibilidade de usá-lo, obviamente.

As conversas dentro do táxi são sempre muito boas. Ali dentro passa todo tipo de gente para enriquecer a opinião do condutor e até nos informar do que a população anda querendo e reclamando.

O trânsito surge, eis o assunto inicial para uma clássica conversa ao estilo “elevador com o vizinho”. 

- Essa história de faixa azul tá uma porcaria, até liberaram a gente para andar, mas sem fumê. Disse o taxista. 

- Sim, de fato, mas pelo menos liberaram, né? Disse eu.

- Só que com esse calor, não dá pra andar sem fumê, tá insuportável. Retrucou. 

Os diálogos eram intercalados pela pior meia embreagem que eu já vi na vida, o carro parecia convulsionar. 

- Eu acho que deveriam nos liberar, mesmo sem passageiros, estamos quase sempre a trabalho. Além do mais, é quase impossível passar todas as faixas quando um passageiro chama. Finalizou. 

Chegamos ao destino. 

Pensei, a faixa azul veio para melhorar, mas ainda vai gerar muita confusão até a adaptação, é um período normal, experimental. A população precisa ter paciência sem deixar de torcer para que dê certo, pois a melhora será coletiva.

Outra coisa, acho que o prefeito Rui Palmeira deveria andar um pouco nesses transportes, como disse o taxista, pode dizer o cobrador, o motorista e toda população. É um excelente meio para saber o que o povo quer. 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Dizem que somos iguais

São incansáveis os momentos em que Maceió figura nos jornais como a cidade mais violenta do Brasil e uma das mais violentas do mundo. De fato, basta uma pesquisa simples para se chegar aos elevados índices negativos da capital Alagoana.

A violência, como a lei – na teoria -, atinge a todos, sem cor, credo ou classe social. Talvez seja um dos poucos mecanismos capazes de envolver tanta gente dentro do mesmo barco.

A situação anda tão calamitosa que até Fernando Gabeira passou aqui. O que me preocupa é a forma como o assunto é tratado: A repercussão quando atinge uma pessoa conhecida. E o Seu José?

Não venho aqui fazer papel de advogado do diabo. Hoje (26) foi assinado o proprietário da casa de shows Maikai, mas amanhã pode ser você, sua mãe, seu irmão, seu filho, inclusive o José que mora ali no Clima Bom (paradoxalmente um dos locais mais violentos).

Viver é correr riscos, aqui em Maceió isso é seguido à risca. Na última segunda-feira (24), um morador de rua foi morto a tiros, o terceiro em sete dias. A notícia não ganhou destaque e, para maioria, foi culpa das drogas.

A morte do empresário foi uma pena, sem dúvida, mas isso acontece “todo dia” com a parcela esquecida da população. A mídia acaba decidindo a importância dos fatos e o que não é publicado é como se não existisse.

O Governo de Alagoas recententemente mudou o comando da Secretaria de Estado da Defesa Social (SEDS), provavelmente não resolverá nada,  e a população continuará clamando por socorro. Há uma histeria coletiva, todos estão no limite de uma lei que mais parece o código de Hamurabi.

Espero que o caso de hoje sirva como um novo gás para uma luta que deve ser travada com toda força: Contra Violência, não só contra o rico, a contra o pobre também.  Afinal de contas, dizem que somos iguais.


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Além de segurança, boas maneiras!

As aeromoças são caracterizadas - quase sempre -, pela beleza, jovialidade e, principalmente por aqueles gestos engraçados ao avisar onde ficam as saídas de emergência e explicar todos os procedimentos de segurança no vôo. 

A segurança é de extrema importância, já que se torna uma missão verdadeiramente impossível se salvar de problemas aéreos, então nada mais justo. Porém, longe de ser ocasionado pela popularização do acesso aos aviões, ganhamos outro problema, a falta de educação.

Talvez para os elitizados, sejam os menos favorecidos, os famosos “passageiros de rodoviária” no aeroporto. Discordo. Falta bom senso de todos, pertença a classe que for. As mães deveriam controlar os filhos que chutam as cadeiras por trás e seus gritos.

Criança pode muito, mas tudo tem limite. À todos outros, reclinar a cadeira é confortável, principalmente em um vôo longo, mas não precisa ser feito da forma mais grosseira possível, não custa absolutamente nada fazer de uma maneira mais delicada.

O bom senso também chega nos compartimentos onde fica guardada a bagagem, não há necessidade de uma ocupação completa, pense no outro, que está atrás de você e não conseguirá espaço no local destinado e deverá procurar outro mais distante.

Estes são só alguns exemplos. Pensando bem, as aeromoças poderiam abordar boas maneiras com o movimento engraçado com os mãos, apesar de nem todos prestarem atenção, quem sabe não melhoraríamos? 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A triste partida

Hoje faz exatos dois meses que meu pai nos deixou, data que também completaria 51 anos. Para alguns, a luta, que durou quase oito meses, foi perdida. Mas longe do consenso geral, acredito na vitória clara do melhor dos guerreiros.

Nunca pensei que chegaria a tal situação, até pensei, mas depois de muitos e muitos anos, e  poderia cuidar dele sem tanta dor. Ainda é extramente difícil conviver com a tristeza, e ao mesmo tempo confortante pensar nas coisas boas deixadas por aqui.

A data da partida foi emblemática como ele, 10 horas do dia 11/12/13. O extraterrestre voltou para o seu mundo. E como um ser humano repleto de bondade, deixou um enorme legado em sua curta passagem.

Pensar nele é pensar em uma verdadeira filosofia a ser seguida. Uma filosofia que ficou órfã do seu maior guru. Recebi grandes ensinamentos, e prometi a mim segui-los com afinco e muita sabedoria.

Apesar da tristeza, ficam as boas recordações, as piadas, as brincadeiras, e até às duas vezes que ele fingiu que estava morto no hospital. Como brincalhão que era, não poderia deixar de fazer. Difícil foi reagir quando de fato aconteceu.

A corrente do mundo melhor perdeu um dos maiores colaboradores. Ele pode não ter resolvido o apartheid, porém, em pequenos atos, nos mostrou lições dignas do líder que sempre foi, no nível de outros gigantes mundo a fora.

Fica a missão e bons fluidos deixados por ele para todos nós que convivemos. Missão que deve continuar, sem dúvida é o que ele gostaria.  E aos seus órfãos, a admiração eterna por um dos melhores que passou por aqui.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Será que seremos educados?

Maceió passa por uma grande mudança no trânsito, a partir do dia 17 de fevereiro, uma segunda-feira, os condutores que frequentarem a faixa exclusiva de ônibus (Avenidas Fernandes Lima e Durval de Góes Monteiro) inadequadamente serão multados.

Fruto de uma grande iniciativa da prefeitura, o novo modelo pretende acabar com a lentidão dos ônibus, além de promover um incentivo para que a população use o transporte público com maior frequência. Entretanto, para a concretização dos devidos fins, há a licitação para exploração do serviço de transporte.

Nenhum tipo de medida funciona sozinha. Existe o empenho do novo prefeito pata concluir o processo licitatório, situação de extrema importância. A população foi convidada a participar de tudo, inclusive em audiência pública realizada no último dia 30 de janeiro.

Aproximadamente em 15 de fevereiro, o edital da licitação será publicado no Diário Oficial do Município, 45 dias depois haverá a abertura do certame. Rui Palmeira decidiu não tirar férias, aconselho também um sono de meio termo, um olho aberto e outro fechado.

Em Brasília, a licitação revelou a possibilidade de um grande esquema em que antigos concessionários usaram laranjas e continuaram a assumir o serviço. Será que em Maceió será diferentes? Os marajás dos transporte perderão sem problema a concessão? Creio que não, quem em sã consciência empurraria uma máquina de dinheiro de casa. 

Ainda temos a história da lei municipal 5.594, de sete anos atrás, que finalmente entrará em vigor no dia 24, e contribuirá para a diminuição do caos no transporte. O artigo institui a proibição da circulação de caminhões, tratores e máquinas acima de cinco toneladas no trecho que compreende da Praça Centenário até o posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF). 

Com isso tudo, os objetivos são bem válidos, mas será que a população está preparada? Será que seremos educados? Ainda é comum, por pressa, assistir aos condutores usando irregularmente a faixa. Além da educação, é preciso uma mudança cultura, ou seja, um desafio considerável. 

Medidas estão sendo tomadas, espero que a população consiga ser educada suficientemente para arcar com isso. E olhos abertos na licitação. 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Quem é vivo sempre aparece

 Em certos momentos precisamos mudar, limpar,      fechar o ciclo. Essa era a hora pra mim, depois de um  longo ano, não no tempo, mas repleto de surpresas  agradáveis e desagradáveis, estou de volta. A última  postagem foi durante os protestos que assolaram  nosso  país, ganhamos uma reforma política, ou    minirreforma, ou nada, vai lá saber. Mais um dos    acontecimentos mais interessantes de assistir vou a    prisão dos mensaleiros, a caça às bruxas foi    cinematográfica e “globalizável”.

 No tocante ao maravilhoso estado de Alagoas, fico  feliz de estar diante de deputados estaduais que me  representam da melhor maneira, sem generalizações,  sem CPI e sem Joaquim. Já no clã Sarney o circo  vem pegando fogo, com o perdão do trocadilho. O Maranhão  está assolado de uma verdadeira guerra nos presídios e do lado de fora. 

Começo a primeira postagem com esse vídeo, de Glauber Rocha, que mostra a excepcional posse do cacique em um tribo já afundada. Promessas sempre existiram, e o problema era uma bola de neve no calor de 50º. Garanto que esse não tem cabeça rolando, apenas o estado como é.